Bastille – ‘Doom Days’ álbum review




A importante revista britânica NME (New Musical Express) fez uma review do novo álbum do Bastille e o resultado podemos conferir abaixo:

Quando Bastille lançou seu segundo álbum ‘Wild World’ em Setembro de 2016, parecia que havia um vislumbre de esperança nesse mundo sombrio. Naquela época, não parecia plausível que Hilary perderia para um desqualificado, inteligível e um vácuo na decência humana. Brexit não era ainda como o ponto de um filme de ação onde o cronômetro de uma bomba começa a contar em alta velocidade.

O aumento nos últimos três anos das manchetes negativas, são suficientes para nos fazer querer jogar todos os nossos dispositivos pelo prédio e viver uma vida alegremente ignorante fora da rede. Isso pode não ser uma opção realista, mas esqueça tudo isso por uma noite, detonando tudo com seus amigos. Essa é a ideia que forma a base do tão esperado terceiro álbum do Bastille, o apropriado título ‘Doom Days’, que traça o curso de uma noite em uma festa em casa enquanto o mundo desaba lá fora.

Tudo começa no Uber a 00:15, na música “Quarter Past Midnight”, nossos protagonistas estão ainda evitando o amanhã (Still avoiding tomorrow que é o tema central da tour do novo álbum) do banco de trás. Inicialmente, parece ser a trilha perfeita para o pré-jogo, apresentando break-ups agitados e refrão dignos de se destacar entre as pequenas conversas com o motorista de táxi. Mas isso é o Bastille e nada é completamente preto no branco quando se trata deles. A banda pode estar iniciando uma noite de hedoismo e escapismo, mas desde o inicio existe uma faísca de reflexão sóbria. Na frase: “Why are we always chasing after something / Like we’re trying to throw our lives away?” - Por que estamos sempre buscando por algo / Como se estivéssemos tentando jogar nossas vidas fora? – Dan Smith pergunta no refrão, depois notando um desejo “for the bodies on the billboards / Not the lives underneath them.” - Os corpos nos outdoors / Não as vidas por baixo deles.



Um desespero permeia a primeira metade do álbum. Está lá na abertura quando Dan implora: “Help me piece it all together, darling / Before it falls apart.”- Me ajude a colocar tudo no lugar, querida / Antes que tudo desmorone -. Surge em você na música ‘The Waves’, quando no final da música, a produção brevemente muda para o modo submarino e parece que você teve sua cabeça mergulhada sem cerimônia em uma pia cheia de água. E na brilhante ‘Million Pieces’ é evidente a determinação de Dan de desligar tudo ao redor dele, sua voz se alinha quando ele canta: “If it’s gonna break me, won’t you let me go? / Leave it til the morning, I don’t wanna know.” - Se isso vai me quebrar, você não vai me deixar ir? / Deixe até a manhã, eu não quero saber.

‘Million Pieces’ é em parte, sobre ser encurralado em uma festa para falar sobre política, quando você preferiria estar fazendo outra coisa. A condução no piano de ‘Divide’ é sobre uma divisão literal, enquanto algumas pessoas vão para casa e outras continuam na noite ou também um grito pela união do mundo de forma geral.

Enquanto isso, em ‘Bad Decisions’, Dan está “feeling lower than the sterling” - sentindo mais baixo do que a libra esterlina -, talvez um aceno para uma das consequências do Brexit. O título da música, possui uma possível referência a esse pesadelo, alinhado com as maiores questões da sociedade, como o vício no celular, a negação da mudança climática e as fake news. “We’ll be the proud remainers / Here ’til the morning breaks us,” - Seremos os sobreviventes orgulhosos/ Estaremos aqui até o amanhecer nos despedaçar -, o vocalista afirma junto com a batida anos 90 de Doom Days.


Contudo, há um outro lado de ‘Doom Days’. É o que celebra as pessoas que frequentam a festa do Bastille e as pessoas em geral, observando a emoção da conexão humana. “You put your arms around me / Partners in crime in the dead of the night,” – Você colocou seus braços em minha volta / Parceiros no crime na calada da noite -, abre a música ‘Nocturnal Creatures’, enquanto ‘Those Nights’ marca o ponto onde a noite quase se tornou dia de novo e você está cercado por corpos inconscientes, desejando alguém para ir para casa e acordar juntos. A última do álbum ‘Joy’, se passa na cozinha às 08:34, e encontra com um Dan sendo acordado por uma ligação especial, a pressa do seu nome aparecendo na tela, puxando ele de volta entre o desistir e o ceder.

Muito aconteceu na política nos últimos três anos, mas também para a banda. Eles foram headline de muitos shows ao redor do mundo e top na América (graças a sua colaboração com Marshmello na música ‘Happier’).  Por tudo isso, eles permanecem firmes, apesar de este ser o álbum mais inventivo e fora da caixa. ‘4AM’ é uma canção de ninar tonta. ‘Another Place’ é a música que exalta com delicadeza a house music e ‘Joy’ é ainda mais eufórica graças a adição do coral gospel. Trazer todos esses elementos poderia ter deixado o disco confuso. Em vez disso, todos são implantados sabiamente de uma forma que se sentem parte do DNA do Bastille.

‘Doom Days’ é um instantâneio vívido da humanidade e o imaginativo, o nível de aventura se eleva em uma das mais influentes bandas britânicas. Se o fim dos tempos está chegando, você pode fazer muito pior do que assumir a liderança e reunir os seus amigos, pressionando o play e curtindo uma festa como em 1999.

A revista ainda entrevistou a banda para falar sobre o significado por trás das músicas Joy e Doom Days, como vocês podem ver nos vídeos abaixo (video sem tradução):





Doom Days: Lançado no dia 14.06.19 pela Virgin EMI


Post original

Bastille – ‘Doom Days’ álbum review Bastille – ‘Doom Days’ álbum review Reviewed by Aline Dantas on 05:50 Rating: 5

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